21st set2011

Dia da Árvore

by Biattrix

Lembro – de maneira um tanto nublada – dos meus dias na escola, aos cinco ou seis anos, quando plantávamos uma árvore em comemoração ao início da primavera, e ouvíamos histórias exaltando a importância da Amazônia.

Tudo era muito distante da minha realidade – a Amazônia, de tão longe, parecia outro planeta.

Agora, tentando refazer alguns dos discursos – tanto da escola, quanto dos meus pais – tenho a impressão de que tudo era posto como se em outro mundo – e não no meu. Não que eu tenha sido criada em uma redoma de cristal. Mas, é fato que meus pais tentaram, mais do que deveriam e em nome do amor, me proteger de muitas coisas. Não acho que essa atitude tenha me alienado – apenas adiou alguns confrontos e questionamentos. Se certo, ou errado, não importa. Foi a escolha deles.

Hoje, assumo outra postura, sigo as minhas escolhas. Afinal, outros tempos, mais informações…

Quero que o João entenda como suas escolhas geram consequências – que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos – e completo: por tudo aquilo que cultivamos. E que mesmo atentos, ainda assim nossas ações podem influenciar outros, sem que tenhamos a mínima noção.

Somos únicos, indivíduos completos, embora ao mesmo tempo sejamos parte de algo maior: um coletivo – para muitos não diria nem invisível, mas, talvez inexistente – que para crescer saudável depende das ações únicas de cada parte. Longe de uma visão comunista, como eu mesma classificaria esse discurso aos 14, 15 anos… É que de nada adianta ser grande, em um mundo de pequenos. E a escolha de “seguir pequeno como os demais” é negar toda uma existência.

Não pense que sou boa, pura, fraterna – costumo interpretar essa minha visão como algo muito egoísta: quero fazer o melhor para a minha vida! Quero me sentir confortável, tranquila, feliz com as minhas ações. Por exemplo: se, na fila do caixa, no supermercado, logo atrás do carrinho com as minhas compras do mês inteiro, tem alguém-não-importa-o-sexo-ou-a-idade com meia dúzia de coisas, por que fazê-lo esperar que tudo seja registrado, ensacado, debitado, para então chegar a sua vez na fila? Sinto um enorme prazer, uma leveza incrível, quando – por gentileza – o peço que passe a minha frente. Ou seguro a porta do elevador, esperando um vizinho-que-nunca-vi-na-vida dar mais alguns poucos passos até nos alcançar. Quando pergunto “como vai a vida?”, não espero uma resposta lacônica e pró-forma “- vai indo”… Eu realmente quero ouvir e me importo com isso. Porque sei que um sorriso pode mudar muita coisa. E eu adoro sorrisos!

Mas, e o dia da árvore e a bendita, em si, onde cabem neste post?

A árvore cabe na metáfora que uso muito – porque precisamos de raízes, um lugar para chamar de nosso. Mesmo que lá não estejamos. As raízes nos alimentam, fortalecem, nos dão base e a primeira direção: para o alto e avante. Ainda que nos podem, arranquem nossas folhas, flores e frutos, da raíz renascemos. E por falar em flores e frutos, é preciso levar beleza para o mundo! Da perfeita-imperfeição das pétalas aprendemos a perenidade das coisas e seus ciclos. Assim com dos frutos, que precisam amadurecer para oferecer o seu melhor, que alimentam, nutrem e saciam, não a própria árvore!, a vida ao redor.

Que o dia da árvore, hoje, 21 de setembro, seja para pensar em tudo isso. Para ensinar a fazer diferente. E aprender um jeito novo. Dividir, compartilhar a alegria de ser e de estar vivo. 😉

Arvore do Carinho... e a Lola de olho!

 

 

 

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