10th out2010

Egoísta. Sou a única?

by Biattrix

Hoje, no Twitter, lancei a frase:

Fiquei orgulhosa do meu filho. Lá longe, com os tios e avós, curtindo o momento, sem se preocupar com a ausência da mãe.

Oi? Como assim, ele não está com saudades de mim?

Sempre muito grudado, carinhoso, como pode se divertir sem pensar em mim?

Por que não sente e se incomoda com a minha ausência?

Filhos são para a vida. Eu sei. Não sinto ciúmes dos amores que ele tem e terá. Não fico triste por saber que, uma hora dessas, eu vou ser apenas “ela“, e não mais a “mamãe”.

Mas… preciso confessar, às vezes, e SÓ às vezes, uma pontinha de egoísmo me espeta e traz uma tristeza grande quando penso que eu não farei parte de muitos e muitos momentos da vida do João. Eu sei que é egoísmo. É o mesmo sentimento que me acompanha há muito tempo. Sou egoísta desde criancinha. Se autopreservação distorcida, não sei. Nunca parei para pensar sobre o tema. Até agora.

Ser mãe é um eterno aprendizado. Assim como ser gente, né? Parar de aprender é se engessar. Sempre disse que João tinha me feito uma pessoa melhor. E é verdade. Por ele, eu revejo todas as minhas certezas, questiono as dúvidas mais angustiantes, descarto o que não me serve mais. Por ele, e com ele, eu aprendo todos os dias.

E penso na minha mãe. Revejo o passado com outros olhos [mas não é sempre assim?].

A sensação de ser a única a pensar sobre isso é outro grande ato de egoísmo, não é mesmo? Digo isso sem apontar o dedo: faz parte da gente.  É inerente. E negar só complica as coisas, porque mascara, porque é mais difícil lidar com isso. Porque você não vê que está sendo egoísta. E não pode mudar. Não pode aprender. E se engessa.

Eu quero ser livre. E quero mostrar para o meu filho que ser livre só é possível quando a gente se libertar de si mesmo. E abre mão de sentimentos que não servem. E questiona tudo, e não toma nada como certeza ou verdade absoluta.

Somos múltiplos. E o egoísmo nos impede de ver isso. Engessa. Limita. Somos múltiplos nas raças, nas religiões, no sexo, no mundo. Mas, também somos muitos em nós mesmos: nos nossos desejos, inteligências, amores… somos mutantes. Essa é a mágica da vida.

24th set2010

A Morte

by Biattrix

João outro dia me perguntou quando eu iria morrer. No tom de voz, uma leveza típica de quem não faz ideia do que está falando. Até a sensação egoísta de autopreservação o assolar: o que vai ser de mim, se eu ficar sozinho? E ele chorou copiosamente por alguns minutos. Aquilo me doeu tanto. Abraçados, tentei consolá-lo diante da única certeza da vida: a morte.

Eu disse que a vida é quase mágica, que nosso corpo é tão perfeito no seu funcionamento, tão extraordinário, que um simples pensamento é capaz de levar impulsos elétricos e nos fazer andar, ou enxergar… mas, que um dia, como uma lâmpada, a gente se apaga – e que não sabemos quando isso vai acontecer. Nem o motivo que fará a luz se  apagar…

Atento, e um pouco assustado, o pequeno foi enxugando suas lágrimas e acrescentando partes da história: uma onomatopeia aqui, uma repetição ali e, pelo fechamento que ele deu, acho que entendeu um pouco do que eu quis dizer.

Ele me afastou, limpando uma lágrima minha, olhou nos meus olhos e declarou: “é por isso que eu vou ficar abraçadinho com você hoje. E aproveitar muito da minha mamãe.

Hoje, ao levá-lo na escola, vimos uma ambulância do Corpo de Bombeiros numa esquina próxima. Os paramédicos socorriam um senhor, que parece ter caído na rua. Sem entender porque os bombeiros estavam ali, expliquei que eram responsáveis por nos socorrer, além de apagar incêndios. Foi uma cena rápida, não mais do que 3 minutinhos. E quando o deixei com os amigos, já não comentava mais o fato.

Acontece que eu, ao retornar pelo mesmo caminho, fui tomada por aquela curiosidade mórbida e olhei para dentro da ambulância, ainda parada na rua. Aquele senhor, ali imobilizado na maca e recebendo os cuidados, de repente… era o meu pai.

Uma angustia fria me congelou. A razão me trouxe de volta. Mas, e o nó na garganta que não passava? Andando, as lágrimas corriam. E o pensamento também.

É, isso vai acontecer, um dia. E aí?

Ao cruzar o portão do meu prédio, liguei para ouvir a voz do meu pai, que deve ter estranhado a ligação. Alívio. Mas, agora é a sensação de egoísmo que me incomoda. Sim, porque não penso nas coisas que ele, ao morrer, vai deixar de fazer. Ou os sonhos que não vai realizar. O que me castiga são os pensamentos das coisas que eu não vou viver com ele. E fico triste de perceber que eu não estou preparada para a única certeza da vida.

24th ago2010

Macaco de imitação

by Biattrix

Hoje, levando o João ao colégio, pelo caminho ele ia me mostrando suas habilidades como jogador de futebol. Conversávamos sobre os times, jogadores e dribles. E sobre os jogos no pátio da escola, com os amigos que, segundo ele, não sabem “enganar” a jogada.

Todo animado, ele parava a cada cinco passos para me mostrar dribles e pegadinhas, um vai-não-vai digno de… (oops, tenho muito a aprender sobre futebol!)

Quando perguntei como ele aprendeu tudo aquilo, João respondeu tranquilamente:

– ué, vendo. Eu vejo e faço, eu vejo e faço. Pronto.

Na hora achei bem divertido. Afinal, é assim mesmo que aprendemos, não? Quase por imitação. Quando adultos, estamos com a técnica tão refinada, que nem nos damos conta. Vemos e fazemos. Aprimoramos. Mas, macaqueamos.

Aí, lembrei desse vídeo que vi tempos atrás

O poder de observação dos pequenos é tamanho! Por exemplo: João aprendeu que deve andar do lado interno da calçada, simplesmente porque eu, durante nossas caminhas, sempre o troco de lado, o deixando longe do meio-fio. Vendo esses movimentos, me perguntou o motivo e respondi que era por segurança, que mulheres e crianças sempre devem andar desse jeito – o mais velho, ou mais forte, protegendo o mais novo, mais frágil. Desde então, quando vê alguma criança na beirada da rua, comenta em tom de quem sabe tudo: – ali, mãe, ele não sabe que criança tem que andar do lado de dentro da calçada.

02nd ago2010

Olá, mundo!

by Biattrix

Como se aprender a ser mãe?

Sendo.

E aqui estou. Há 4 anos, mãe do João.

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