21st ago2011

Docinho de coco

by Biattrix

João é uma criança carinhosa e um tanto gaiata. Mas, como muitas vezes sou uma palhaça, cheia de caras e bocas, modulações de voz e gestos quase caricatos, o filhote tem uma professora particular em casa, 24 horas por dia!

Acho normal seu jeitinho de falar, mas as correlações? Sempre acho graça. Gente, o que são suas explicações? Ele faz analogias incríveis! Mas, como não tenho muito contato com outras crianças, sigo acreditando que todas nascem assim, espertinhas! Meus pais e alguns amigos garantem que não.

Já há alguns dias, ele vem reclamando do meu excesso de trabalho. Diz que fico com os olhos grudados no computador, ou no celular. Em dias de natação, a recomendação é sempre a mesma: “mãe, não vale ficar olhando pro iphone, viu?! É pra me ver na piscina!” Achava que era mais uma implicância da minha mãe do que dele mesmo…

Até uma queixa cair pesada sobre minha cabeça e me desmontar todinha: – mãe, você não brinca comigo!

– Como assim, João, eu não brinco com você? E a saga completa de Star Wars (os SEIS DVDs!!!) que vimos, pelo menos, umas TRÊS vezes?! E a competição de Ninja Fruit???

O pequeno reclamava da falta de brincadeiras, daquelas sentadas no chão, com Bakugans, carrinhos de ferro, heróis e vilões em ataques ferrenhos, jogar bola no play… coisas do dia a dia, que não são programadas, não têm hora ou local certos.

É, eu não brinco com meu filho.

Vamos ao cinema.

Ao parque Lage.

Comer pizza com os amigos. Os meus. (que o adoram! Mas são adultos, amigos meus.)

Eu precisava mudar. Ele, essa criança doce, muito carinhosa, me pediu para mudar. E brincar mais.

Ontem, perdemos a hora brincando… sentados na cama, com uma arena laranja entre as pernas, colocamos nossas BeyBlades para competirem. Fizemos torcida. Simulamos brigas. Implicamos um com o outro, vencedor e derrotado. Inventamos regras, magias para força e concentração, dancinhas de vitória e outras besteiras. Rimos muito. E eu ganhei um novo apelido: docinho de coco.

Às 7 horas da madrugada, João se deita ao meu lado na cama, me cobre de beijinhos e diz: – docinho de coco, vamos acordar? Está na hora da batalha: vamos competir, mãe??

Como resistir?

Depois de punkpanquecas para o café  e uma exibição de air guitar, lutamos como se não houvesse amanhã. Trocamos os disparadores. [break para o almoço] Misturamos as peças para criar BeyBlades mutantes [break para o lanche]. Jogamos Uno, Soletrando e De Onde as coisas vêm?. Lutamos mais um pouco. Perdi feio uma centena de vezes.

Valeu cada minuto! Ganhei o sorriso mais franco.

A gargalhada mais gostosa.

Elogios sinceros”mãe, você nasceu para isso!“.

E o melhor apelido de todos: docinho de coco!

4 Responses to “Docinho de coco”

  • Roney Belhassof

    Eu não devia ler seus posts em saguões de hotel! Quase comecei a chorar aqui!

    Acho muito emocionante a forma como os humanos exploram o universo nos seus primeiros 13 anos. Eles moldam as regras da natureza experimentam universos alternativos. A realidade para eles é líquida e isso é espetacular! Creio que o bem que vc está fwzendo para ele é incomensurável, viu?

    Fora isso sempre será emocionante ver um adulto se dedicando profundamente a uma criança. Amor puro é assim!

  • Mari Puppin

    Eu não fiquei só no quase… Chorei mesmo, confesso!
    Já disse pessoalmente, mas depois desse texto preciso repetir! João é uma das crianças mais lindas que já conheci! Não só por aqueles lindos olhinhos azuis, mas pela doçura, educação, pelo abraço apertado (uma delícia!) e, claro, pela “gaiatice”! Puro charme! 😉
    Sou fã assumida do príncipe João!

  • Vc é foda.

    só isso mesmo.

  • Porra Bia, não sabia desse seu blog. Adora vou ter de te odiar: vc me viciou em mais um!! rsrs. Duca. E João, o que dizer? Lindo, lindo, lindo…
    bjocas!

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