14th fev2014

Ele curte um bom rock!

by Biattrix

Há uma nova rádio na cidade. E nas indas e vindas da escola, é ela que ouvimos.

Hoje, na ida, João ouve TNT, do AC/DC e diz a seguinte frase:

– Isso sim é rock!

Eu posso com isso? Como uma mãe boba, eu me surpreendo com suas tiradas, teorias, histórias.

Talvez você não veja com os mesmo olhos – a cada uma dessas tiradas eu vejo todo o desenvolvimento dele. E ouço a segurança na sua voz. E as gaiatices, então?

Toda mãe tem um momento “babão”. Mas se não, tudo bem. Eu não me importo de estar sozinha nessa onda (embora eu duvide, viu?). Agora, me dá licença que vou ouvir um bom rock. 😉

15th jul2013

Pensa branco

by Biattrix

A primeira segunda-feira das férias pede – não, implora! – para que a gente fique mais tempo na cama, não é mesmo?

E foi assim, hoje mais cedo… acordamos preguiçosos, e ficamos de papo furado e chamegos na minha cama, tentando planejar o que fazer com o dia inteirinho livre, só pra nós.

Entre histórias e cosquinhas, João se perdeu em pensamentos. Virou de lado e permaneceu quieto por alguns minutos, até eu perguntar: “no que você está pensando, filhote?”

– Em nada.

– Em nada? Na-di-nha?

– É, em nada.

– Como pode, João, uma pessoa não pensar em nada? Eu tô sempre pensando em alguma coisa! Como faz para não pensar em nada?

– É só pensar branco. Daí a gente não pensa em nada…

– João, onde você aprendeu isso?

– Não sei se aprendi, acho que nasci sabendo. Pensa branco, mãe.

Branco

 

16th jun2013

Profissões

by Biattrix

Outro dia, ganhamos da Del Valle um tema para conversarmos, João e eu: Profissões.

É claro que aos 7 anos, João cada hora decide ser algo diferente quando crescer. Jogador de futebol ganha com uma margem larga. No meio da grande lista, profissões que me dão muito orgulho. O engraçado é entender o que ele percebe de cada rótulo, de cada profissão. Por exemplo, ele já disse que quer ser como o padrinho e o avô, e trabalhar de terno e gravata. Mas não importa o que eles fazem – são advogados – com tanto que seja vestido com o tal uniforme.

Ontem, reclamando do dever de casa, aproveito para lhe mostrar como eu “ganho” a vida: escrevendo. O dever rejeitado era justo uma redação! (Coitada da mãe desse menino! hahahahahaha…)

No meio de profissões quatrocentonas, surgem novas possibilidades e tento não descartar nenhuma, seja por preconceito ou por… (é tudo pré-conceito, não é?)

Se ele fará uma faculdade, ou não. Se será funcionário público, empresário, empregado… A mim, basta que seja feliz, inteiro em sua escolha. E que ela lhe renda mais que o pão nosso de cada dia.

Impossível não parar e pensar nas minhas próprias escolhas. No apoio incondicional dos meus pais e do meu irmão. Nas mudanças de rumo que já fiz; e nas que ainda farei.

Porque, no fundo, ajudar o João a se descobrir é também um exercício de descoberta das minhas próprias facetas, dos meus limites, vontades e verdades.

É bom crescer com o meu filho. É fantástico aprender com ele.

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17th set2012

É mais fácil calar, do que tentar achar as palavras certas.

by Biattrix

Há meses não escrevo. Na cabeça, milhões de palavras, todas carregadas de sentimento. E um não-saber como começar, como escrever sem julgar ninguém, apenas colocando em forma de texto tudo o que sinto aqui, calada.

Em contraponto, João está cada vez mais falante. Fico impressionada com a fluência do pequeno! Em parte, porque eu sempre lhe disse que era preciso aprender a falar sobre os sentimentos. Que é bom dividir o que pensamos, assim mesmo: em voz alta. Quando escutamos o que nós mesmos estamos falando, nos damos conta de várias outras questões. O não conseguir falar também diz muito. E vai explicar isso para uma criança de 6 anos?!

Quando estamos de cabeça quente, sempre o oriento a se isolar um pouco, tomar o tempo necessário para se esfriar e pensar melhor. E só então falar.

Eu já pequei tanto ao dizer coisas que não queria, só porque a cabeça fervendo embotava os pensamentos. Já feri muita gente que amo além da conta. Porque eu não sabia esperar, processar aquela emoção. Atacar sempre parecia a saída perfeita para me defender. Do quê? Não sei. Nunca pensei direito sobre isso.

Agora, mais madura, vejo que errei tanto!

Não que minha intenção seja eliminar os erros da vida do João! Isso é impensável! Apenas quero dar ao pequeno mais instrumentos, para que os seus erros sejam outros – os dele, e não os meus.

Eu escolhi ser mãe solteira. Optei por criar sozinha o meu filho. Hoje, acho que até profetizei isso, ao dizer, do alto dos meus 16 anos, que “aos 35 – casada ou não – eu teria o meu filho”. João nasceu uma semana depois d’eu completar – adivinhem?! – 35 anos.

Nos primeiros meses de gravidez, eu pirei. Questionava essa decisão, lutava para me encaixar no modelo vigente de família (da minha cabeça, ok?!). Aos 6 para 7 meses de gestação, terminei o namoro falido com o pai do João. Nos meses seguintes, tentei não deixá-lo de fora da (futura)vida do filho mais novo. Porque mesmo sem uma relação afetiva entre nós, não queria privar o João de desenvolver a relação deles – de pai e filho.

Depois das visitas contadas nos dedos da mão, o afastamento. Para, depois de 4 anos, um oficial de justiça anunciar a visitação.

Ô diazinho dolorido, viu?! Meu maior medo era que, ao entrar na vida do João, o pai – até então desconhecido, criasse um vínculo que seria rompido depois. Meu medo era que essa presença não fosse constante. E que o meu filho tivesse que aprender a suportar a saudade e administrar todas as dúvidas do abandono. O que, infelizmente, aconteceu seis meses depois.

Hoje, longe do pai há dois anos, João questiona essa ausência. Por que é a pergunta que ele mais faz. Por que não liga? Por que não fala pelo computador, como os tios? Por que não vem me visitar?

É claro que eu inventei mil desculpas e criei um pai-que-nunca-existiu. Até fazermos terapia, onde aprendi a não tapar o sol com a peneira (tão frase da minha avó!).

João sabe que o pai está longe e não liga porque não quer. Os motivos, nós nunca vamos saber, até que ele mesmo se posicione. Não é uma resposta aconchegante para o João. Mas, tento que seja a mais neutra possível, já que é ele quem precisa qualificar a relação de pai-e-filho.

Dentro da minha cabeça, uma vozinha diz: eu já sabia! E segue desfiando um rosário de adjetivos não publicáveis.

Cabe a mim, aprender a lidar com isso: ver meu filho sofrer e calar suas dores pela ausência do pai. Entender esses momentos e ajudá-lo a elaborar, em palavras, o que o coração sente. Estender a mão e seguir juntos, aprendendo cada um a viver a sua história particular.

Agora que eu escrevi o que me calava, talvez possa matracar novamente sobre as coisas que descubro todos os dias, as graças e gaiatices do João, as minhas próprias palhaçadas, e as angústias, por que não?!, afinal, só sofre o coração que pulsa!

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