17th set2011

Lá em casa!

by Biattrix

Eu sempre quis morar sozinha. E dizia que meu apartamento seria todo branco, com algo de inox, ou vidro. Mas, basicamente branco. [a-ham, senta lá, Bia]

Hoje, divido o apê coloridérrimo [parede roxa, cortinas verdes, almofadas de várias cores] com um filhote lindo e duas felinas. Ainda tem Pablito, um boneco-travesseiro-gigante que trouxe de uma viagem com amigos lá pras terras da Argentina. Em março, duas bromélias, uma alfazema e uma árvore da felicidade vieram morar na varanda!

Não é que agora ganhamos mais uma moradora? Ela é baixinha, lindinha, tem um lado suuuuper tradicional e outro bem moderninho. É a Árvore do Carinho, da Del Valle Mais, uma laranjeirinha cultivada como Bonsai e que tuita todo dia!

Sete mães. Sete árvores do carinho. Sete experiências.

[Mas isso eu copiei da Ti, uma das mães do projeto, que fez esse post aqui, com todos os detalhes!]

A ideia é descobrir como o carinho faz diferença para uma vida saudável e feliz. [Bem, eu já sei disso há tempos! Minha mãe já sabia disso… e agora estou mostrando para o João – na prática – como o carinho deixa tudo mais leve, mais agradável, mais saudável, mais feliz!].

Para saber mais, veja o site da campanha ou siga @DelValleMais .

p.s.: Estou apaixonada pela arvorezinha. O mais legal é que, por ela, a Árvore do Carinho, eu conheci pessoas incríveis: @blogdati@samegui, @mamíferas,@1001roteirinhos e @lilianeferrari

11th set2011

O dedo verde

by Biattrix

Quando criança, eu era muito esquisita.

A menina quietinha, obediente, de olhos verdes e pele branquinha, era – de fato! – uma boneca a ser exibida numa redoma de vidro. Eu fui uma criança de apartamento. Em casa, eu vivia de sapato-de-fivelas (boneca!) e meia 3/4!

 

O oposto exato da minha mãe.

Minha mãe cresceu em casa de quintal, sem luxos, sem geladeira ou TV, com o pé no chão. Quando não  brincava de casinha, pulava carniça, jogava bola de gude, soltava pipa e marimbondo! – Isso mesmo: ma-rim-bon-do. Ela laçava o infeliz, lhe arrancava o ferrão e dava linha… até puxá-lo de volta e continuar a brincadeira! – Mamãe adorava comer frutas no pé, coisa que eu nunca entendi! Fruta suja, com coco de passarinho e teia de aranha, eca!

Não lembro de amar a casa da minha avó, como João adora a dele… Agora, tentando lembrar, só penso no medo que eu sentia quando lá estava. É que vovó morava em uma casa-sítio. Eram seis mangueiras, um bambuzal, e mais um monte de outras espécies: lágrimas-de-nossa-senhora (das continhas eu fazia colares e pulseiras!), babosa, espadas-de-São-Jorge, bananeiras, roseiras, goiabeira, fruta-do-conde (amo!) e mato, e terra, e lama, e pedrinhas! Ah! E bichos, muitos bichos! Cachorro, gato, galinha, ganso, marreco, papaguaio, piriquito, coelho… Mais os insetos. Milhares de insetos moravam naquele ecossistema complexo, que todos insistiam em chamar “casa da vó Cutica”.

Sou esquisita, não?!

Eu tinha medo de mosca, abelha, vespa, besouro, marimbondo, mosquito… mariposa e borboleta. Aliás, resumindo: eu tinha medo de tudo o que voava. E de cachorro, de ganso, do marreco e da galinha. Mas, eu adorava os bichos. Todos, sem exceção. Se todos estivessem nos livros. Isso eu sempre amei! Nunca tive medo de livro grosso e pesado. É que desde os quatro anos eu vivo uma vida virtual, conectada com minhas fantasias, histórias em quadrinhos, heróis, outros países e planetas…

Peraí – entenda: eu ia a praia de havaianas. Mergulhava de havaianas. Não tirava as havaianas dos pés.  Eu não curtia a areia entre os dedos dos pés. Pode?!

Curiosa, sempre procurei saber um pouco sobre quase tudo. Adoro estudar e aprender coisas novas – o que, para mim, representa energia em movimento. Até sei sobre mitologia romana, mas não gravo os nomes das plantas. Ô, dó! Se palmeira ou bananeira, árvore é árvore, e tem também arbusto, moitinha e flores. Pronto.

Sempre perguntei a minha mãe como faria com meu filho.
Como ensiná-lo sobre esse mundão de coisas?

Mamãe é do tipo Tistu. Ela tem o dedo verde. Suas plantinhas estão sempre lindas e bem cuidadas. Ela passa horas no jardim, sabe o nome de tudo o que é planta. Se gosta de sol ou prefere a sombra fresca. Se floresce em maio, setembro ou janeiro… Se é época de morango, caqui, caju, abricó ou abacaxi. Sabe até quando é ananais!

E mesmo morando em apartamento, nossa casa sempre tem muitas flores! O carinho que mamãe tem pelas pessoas, ela dá em dobro as plantinhas. E quando uma nova flor se abre, ela toda sorridente e orgulhosa nos chama para ver… Hoje, eu gosto tanto disso, que muitas vezes me pego relembrando suas caras e bocas a contar sobre um novo botão do seu jardim.

Foi minha mãe quem me deu a muda da Árvore da Felicidade que cresce na minha varanda. Ela me levou à Cobal, me ensinou a escolher o vaso, a terra, o adubo. Replantou a muda, me orientou sobre os cuidados…

E com esses gestos simples, de muito carinho, ela me ajudou a transformar meu apartamento em um lar.

21st ago2011

Docinho de coco

by Biattrix

João é uma criança carinhosa e um tanto gaiata. Mas, como muitas vezes sou uma palhaça, cheia de caras e bocas, modulações de voz e gestos quase caricatos, o filhote tem uma professora particular em casa, 24 horas por dia!

Acho normal seu jeitinho de falar, mas as correlações? Sempre acho graça. Gente, o que são suas explicações? Ele faz analogias incríveis! Mas, como não tenho muito contato com outras crianças, sigo acreditando que todas nascem assim, espertinhas! Meus pais e alguns amigos garantem que não.

Já há alguns dias, ele vem reclamando do meu excesso de trabalho. Diz que fico com os olhos grudados no computador, ou no celular. Em dias de natação, a recomendação é sempre a mesma: “mãe, não vale ficar olhando pro iphone, viu?! É pra me ver na piscina!” Achava que era mais uma implicância da minha mãe do que dele mesmo…

Até uma queixa cair pesada sobre minha cabeça e me desmontar todinha: – mãe, você não brinca comigo!

– Como assim, João, eu não brinco com você? E a saga completa de Star Wars (os SEIS DVDs!!!) que vimos, pelo menos, umas TRÊS vezes?! E a competição de Ninja Fruit???

O pequeno reclamava da falta de brincadeiras, daquelas sentadas no chão, com Bakugans, carrinhos de ferro, heróis e vilões em ataques ferrenhos, jogar bola no play… coisas do dia a dia, que não são programadas, não têm hora ou local certos.

É, eu não brinco com meu filho.

Vamos ao cinema.

Ao parque Lage.

Comer pizza com os amigos. Os meus. (que o adoram! Mas são adultos, amigos meus.)

Eu precisava mudar. Ele, essa criança doce, muito carinhosa, me pediu para mudar. E brincar mais.

Ontem, perdemos a hora brincando… sentados na cama, com uma arena laranja entre as pernas, colocamos nossas BeyBlades para competirem. Fizemos torcida. Simulamos brigas. Implicamos um com o outro, vencedor e derrotado. Inventamos regras, magias para força e concentração, dancinhas de vitória e outras besteiras. Rimos muito. E eu ganhei um novo apelido: docinho de coco.

Às 7 horas da madrugada, João se deita ao meu lado na cama, me cobre de beijinhos e diz: – docinho de coco, vamos acordar? Está na hora da batalha: vamos competir, mãe??

Como resistir?

Depois de punkpanquecas para o café  e uma exibição de air guitar, lutamos como se não houvesse amanhã. Trocamos os disparadores. [break para o almoço] Misturamos as peças para criar BeyBlades mutantes [break para o lanche]. Jogamos Uno, Soletrando e De Onde as coisas vêm?. Lutamos mais um pouco. Perdi feio uma centena de vezes.

Valeu cada minuto! Ganhei o sorriso mais franco.

A gargalhada mais gostosa.

Elogios sinceros”mãe, você nasceu para isso!“.

E o melhor apelido de todos: docinho de coco!

13th ago2011

Amanhã é o dia dos pais. E daí?

by Biattrix

Não sei se já falei do pai do João. Talvez não, porque é muito dolorido para mim.

Só que eu não posso mais ignorar este assunto, achando que se eu não falar nada, ele continuará debaixo do tapete…

João tem hoje cinco anos e cinco meses. Ao longo desses 65 meses, eu me desdobrei em papéis que não me pertencem, na infantil tentativa de suprir o roll de personagens necessários para se educar uma criança. Pelo menos na minha imaginação, através dos meus filtros, dentro da minha realidade – assim, bem egocêntrica (pego da palavra o seu significado original e sem deméritos: Diz-se daquele que toma a si próprio como referência para tudo).

Marcelo e eu não tínhamos uma relação estável. Ou mesmo uma relação, como descobri depois. Namoramos por três meses. Engravidei sem planejar (eu prefiro o engravidamos, porque foi da forma mais tradicional possível!). No sétimo mês de gestação, nos separarmos de vez. Foi uma época difícil não só para mim, tenho certeza.

Meio perto, meio longe, ele acompanhou a gravidez e, no dia 15 de março de 2006, esteve ao meu lado, aguardando o nascimento do João, com aquela roupa ridícula de centro cirúrgico e cara de pai babão.

Apesar de não estarmos juntos, nunca coloquei obstáculos para a relação pai-e-filho acontecer. Ao contrário – sempre cobrei (até demais) que os dois fossem mais ligados. Desde o início, entendo e aceito que esta é uma relação da qual eu não participo. É algo que eles, os caras, devem construir e fortalecer… ela independe da minha vontade e não está sob meus cuidados. Tudo o que posso e devo fazer é não qualificá-la.

Foi no meio de 2009 que Marcelo se apresentou ao João. A última vez estiveram juntos foi dois anos antes, na festa de um aninho. Um cara estranho aparece na porta de casa e o pequeno corre de braços abertos. Segundo determinação do Juiz, foram quase 16 finais de semana que eles tiveram para se reconhecerem. Em abril de 2010, uma oportunidade de trabalho em Aracaju leva o pai do João para longe…

Vi o pequeno passar maus bocados de saudade. Levei um tempo para perceber que precisaríamos de ajuda profissional. Tatiana, uma psicóloga especializada em relações familiares, me mostrou que andei fazendo tudo errado! Eu inventava desculpas bonitinhas para a ausência do pai, desculpas ingênuas, do tipo: “ele está trabalhando, filho! Tá muito ocupado!”… “viajou!”… “é lógico que seu pai te ama, e deve sofrer muito por estar longe!”, “lá é quase meio do mato! Não tem telefone, nem internet”… Eu achava que assim, justificando esta ausência, eu protegeria meu filho da não-relação.

Hoje, assumo uma nova postura, mais real, mais verdadeira. João precisa aprender a lidar com o pai que tem. Um pai que mora longe, que nunca está presente, que – talvez – reapareça um dia desses para ocupar seu lugar. #Fato. Se bom ou ruim, só mesmo os dois podem dizer.

Como mãe do João, faço um esforço enorme para ficar neutra. E transformar esse material bruto em molde de caráter, de generosidade, de entendimento pelas diferenças. Procuro entender e ensiná-lo que as pessoas agem segundo suas próprias escolhas, e não como nós gostaríamos. Que cada escolha gera uma consequência, de nossa responsabilidade. Que precisamos lidar com a frustração.

Imagem: arztsamui / FreeDigitalPhotos.net
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