04th ago2011

O tempo passa (rápido?)

by Biattrix

Muitas vezes falo coisas óbvias. Sabe aquelas obviedades que estão na cara – e que de tão perto, não as enxergamos? Poizé.

Parece um clichezão este meu título, não? E, vamos combinar, um tanto estranho com os parênteses e o ponto de interrogação… Mas, se tirarmos esses elementos, o que sobra é uma afirmação óbvia, natural, esperada, sine qua non da vida: o tempo passa.

Agora me diz, por que – POR QUE – nos assustamos tanto com este fato? Ou ainda: dele nos esquecemos?

Sim, porque se algo está bom, sofremos com a falta de tempo, que desembestado, come os dias da folhinha na parede.

Se é o contrário e nos vemos presos em uma situação adversa, rezamos (às vezes sem mesmo acreditar em Deus) para que o tal tempo passe logo.

O tempo passa. É fato!

Ao mesmo tempo que me desespero por já ser agosto (!), João se deprime porque só ganhará presentes em outubro, e “ainda falta muuuito tempo até outubro, manhê!”.

Preciso reaprender com o meu filho, a viver um dia de cada vez. Talvez, assim, eu acione o freio do Tempo Kronos – o do relógio – e viva mais o Tempo Kairos – o da qualidade de vida.

21st mar2011

Reconheça a diferença

by Biattrix

Queria fazer um post sobre as diferenças entre as pessoas e o que penso a respeito. Acabou saindo um texto sobre assumir uma posição… É que dentro de mim há um constante papo cabeça sobre ene assuntos – muitas vezes, vários ao-mesmo-tempo-agora.

Algumas pessoas me chamam de doida. Já me chamaram de bipolar, histriônica, DDA, questionadora de autoridades. Disseram que sou pavio-curto, dramaqueen, sem foco. Tenho tantos rótulos que nem sei. Talvez você pense em mais alguns, ampliando esta lista informal…

Quer saber? Já me importei com isso. E muito. Assumi quase todos esses rótulos, confirmando o poder que aquelas pessoas exerciam sobre mim, mesmo que temporariamente.

Por muito tempo me questionei se não estavam todos certos – afinal, a maioria tinha uma percepção muito parecida ao meu respeito. Logo, a errada tinha que ser eu!

Graças ao bom Darwin (foi o Roney quem me ensinou esta!), evoluí.

Hoje, não me preocupo com o que você pensa a meu respeito. Isso é problema seu.

Reconheço as diferenças não como um ataque a minha pessoa – mas como parte incrivelmente bela da variedade no planeta. Se fôssemos todos iguais, ui!, que chato seria esse mundo.

Muitas pessoas tratam a diferença como algo a ser exterminado, como se todos pudessem ser pasteurizados, agindo sempre dentro do mesmo padrão. (notem, não estou a falar sobre diferença sócio-financeira-cultural!)

Se divagamos, nos exaltamos com o calor da emoção, questionamos as ideias sedimentadas, não reagimos conforme o esperado… tudo isso é síndrome, doença diagnostica com a melhor das boas intenções. Mas, será?

Concordo que muitos têm problemas e distúrbios que precisam de um equilíbrio químico que só os remédios podem trazer. Precisam do controle da tarja preta. Só que isso é apenas o começo de um longo caminho que deve somar terapia, estudos, compreensão, diálogo, carinho e cuidados. É preciso cuidar das consequências, e reparar a causa. Um trabalho para profissionais dedicados e comprometidos com a saúde e o bem estar dos pacientes. E não para mercenários a trabalho da indústria farmacêutica vestidos de jaleco branco (essa carapuça caberá em muitos!).

E como saber identificar cada caso? Respeito para entender os limites pessoais – sejam seus ou do outro. Diálogo aberto e franco desde sempre, dentro e fora de casa. Paciência para perceber que cada um tem seu próprio tempo. Coragem para se questionar o tempo todo, não em busca de autoafirmação, mas de crescimento pessoal. Amor pela vida.

>> Amor de pai e de amigo. Exemplo de vida. Vale a pena ler o que o pai do Nicolas escreveu sobre o Dia Mundial do Autismo. <3

Eu fico muito feliz por ter na minha vida pessoas incríveis que compartilham suas alegrias, temores, conquistas, conhecimento, inseguranças… Aprendemos juntos. Aprendemos com o exemplo. Superamos os obstáculos com uma inteligência coletiva fantástica e energizante. Cada um a seu modo. Cada um no seu tempo. E, talvez, nem todos saibam o grande exemplo que são…

21st mar2011

Tome uma posição

by Biattrix

A vida anda muito corrida, ou eu estou muito enrolada.

Tudo bem que a segunda afirmativa é mais do que verdadeira. E acaba por transformar a primeira em uma balela-lá-não-muito-consistente.

O dia sempre teve 24 horas. E sempre terá. Ou eu aprendo a colocar filtros eficientes para administrar melhor meu tempo, ou deixo as coisas emboladas pelo caminho. Ou seja, a decisão é minha, bem como a responsabilidade por colocá-la em prática.

Eu preciso tomar uma posição – o que é válido para todos os âmbitos da vida.

Vamos colocar os pingos nos is. E sem ofensas, porque esta não é uma questão pessoal. Eu apenas cansei de deixar subentedido, apenas nas entrelinhas, permitindo que analfabetos funcionais mandem meus textos, opiniões, crenças, falas e objetivos para a inquisição da ignorância.

Tomada a posição, pensar, repensar e optar por outra não é problema. Afinal, quem finca os pés no chão cria raízes. Os objetivos mudam, os ventos mudam: a gente também muda. E não é porque tomou uma decisão no passado (ontem), que precisa mantê-la apesar de ter novos dados hoje. Não será isso que trará coerência, baby.

E no fim, o que todos pedirão é a tal coerência, congruência, pertinência e relevância. Não importando por quanto tempo você manteve uma postura.

Eu sei, eu sei, alguém pode dizer que isso é inconstância – viver de lua, mudar ao gosto das marés. Aí, eu pergunto: e daí?

Ahhhh… fica mais difícil controlar, né?

Pois é, o tal controle! Esquece. Abre mão – você nunca o teve!

Penso muito nisso, porque além de dar conta da minha vida, estou modelando outra… a do João, minha maior felicidade.

O pequeno aprende muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. Ele me testa o tempo todo! Chega a dizer: ué, você não disse isso antes?! Ou quando chega para me questionar com aquela (minha) carinha de “não acredito que você FEZ isso”.

Noto todos os dias que as minhas palavras também são as dele. Que minhas caras e bocas se espelham nas dele. É claro que ele trabalha determinada careta, reinterpreta algum pensamento e me mostra algo particular, cuidadosamente remixado.

Daí, tento assumir posições o tempo todo. Algo confortável para mim, um tanto educador para o João, motivador o bastante para moldar personalidades saudáveis e criativas – a minha e a dele. Sim! Porque minha crença diz que somos eternas versões beta-test – ano após ano.

03rd fev2011

Ausência

by Biattrix

É, tô ausente daqui. Ausente do mundo.

Daquele que eu construí ao longo dos anos, com mãos, suor, lágrimas, risos, amigos, conselhos, piadas…

Eu queria escrever. Mas, desaprendi.

Quis colocar em palavras toda a dor que senti nos últimos meses. Ela, insistente, fez ninho em mim. Ou fincou raízes. Foi o tempo que a transformou. É certo que mudei também, porque seria impossível continuar a mesma. Aos poucos, descobri meu eixo, reaprendi a andar.

É claro que estou a falar metaforicamente. E nada aconteceu assim, desse jeito. Demorei a elaborar a tal mudança, feita de tantos pedaços, que inventei um passado poético. Eu mereço, afinal, um pouco de poesia.

No meio do caos, João também mudou.

Acho que reação frente a tantos acontecimentos estranhos… Mesmo trabalhando em casa desde agosto de 2010, nos últimos três meses do ano eu mergulhei em um projeto pessoal enorme – mais uma mudança nas nossas vidas. Um outro papel começou a tomar forma: a empresária. João acompanhou esse começo um tanto assustado, eu acho. A mãe não é mais a mesma – ele diz.

Meu menino, com 4 anos, argumenta, questiona, cobra. Assim como eu. E aí, vem o choque. Brigamos. Não sei entender. Não tenho paciência. E me ausento de mim, pior: dele.

Não sei o quanto tem de chantagem – sim! – porque crianças sabem o ponto nevrálgico da dor – e como me dói quando ELE diz que não sou a mesma.

De fato, algumas ausências falam alto demais.

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