03rd fev2011

Ausência

by Biattrix

É, tô ausente daqui. Ausente do mundo.

Daquele que eu construí ao longo dos anos, com mãos, suor, lágrimas, risos, amigos, conselhos, piadas…

Eu queria escrever. Mas, desaprendi.

Quis colocar em palavras toda a dor que senti nos últimos meses. Ela, insistente, fez ninho em mim. Ou fincou raízes. Foi o tempo que a transformou. É certo que mudei também, porque seria impossível continuar a mesma. Aos poucos, descobri meu eixo, reaprendi a andar.

É claro que estou a falar metaforicamente. E nada aconteceu assim, desse jeito. Demorei a elaborar a tal mudança, feita de tantos pedaços, que inventei um passado poético. Eu mereço, afinal, um pouco de poesia.

No meio do caos, João também mudou.

Acho que reação frente a tantos acontecimentos estranhos… Mesmo trabalhando em casa desde agosto de 2010, nos últimos três meses do ano eu mergulhei em um projeto pessoal enorme – mais uma mudança nas nossas vidas. Um outro papel começou a tomar forma: a empresária. João acompanhou esse começo um tanto assustado, eu acho. A mãe não é mais a mesma – ele diz.

Meu menino, com 4 anos, argumenta, questiona, cobra. Assim como eu. E aí, vem o choque. Brigamos. Não sei entender. Não tenho paciência. E me ausento de mim, pior: dele.

Não sei o quanto tem de chantagem – sim! – porque crianças sabem o ponto nevrálgico da dor – e como me dói quando ELE diz que não sou a mesma.

De fato, algumas ausências falam alto demais.

06th ago2010

1 de agosto de 2005

by Biattrix

Lembro como se fosse ontem: dia 1º de agosto de 2005 eu estava oficialmente grávida. Foi nesse dia que eu fiz dois exames – um de farmácia que deu errado, e o tal BHCG.

Eu nem desconfiava. Mas de tanto o povo da agência colocar pilha, fiz os exames para calar a boca deles. A-ham, Claúdia, senta lá.

Na época, eu vivia de dieta pouco saudável, fumava quase dois maços de Marlboro vermelho por dia, adorava um destilado, trabalhava pacas, curtia horrores, dormia pouco. Enfim, pinto no lixo. Hoje brinco que João me salvou – aquela boemia toda não me faria bem a longo prazo…

A espera do exame foi tensa, mas divertida. O chefe Edu quis descer para o Bar Lagoa [sim, eu trabalhei 5 anos da minha vida em cima de um dos bares mais legais do Rio!], era uma boa desculpa para bebermos e eu fumar os últimos cigarros da minha vida.

Às oito em ponto eu liguei para o laboratório e a mocinha do outro lado da linha disse: “sua contagem é de 20mil e não sei quanto de sei lá o quê [pausa dramática], parabéns, a senhora está grávida”. Enquanto eu ouvia essa frase interminável, apagava o cigarro e repassava na mente os últimos acontecimentos – tal qual um mini-flashback d’Os Normais. O resto é pura emoção. E não tenho palavras para descrever. Sabe tudo junto? Uma alegria louca e imensa misturada com um medo absurdo, tudo muito intenso. E molhado. Sim, porque eu não parei de chorar.

Eu não sabia o quanto minha vida mudaria. Não tinha ideia das transformações – e foram muitas, acredite.

Ao longo desses 5 anos, nunca me arrependi. A gravidez foi totalmente inesperada [um acidente de percurso, até]. E nem por isso menos celebrada. Amei cada momento, desde o primeiro instante. E, ao contrário do que sempre pensei, os 9 meses passaram rápido demais.

Meu príncipe-herdeiro já está com 4 anos, cheio de certezas, impossível e inteligente. Deliciosamente gaiato.

E quer saber? Aquele misto de alegria e medo continuam aqui [as lágrimas também!]. Ainda bem. Não poderia ser diferente, nénão?

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